A última crise no sistema financeiro, que se iniciou no final de julho, derrubando as bolsas em todo o mundo, fez muita gente "sair correndo" dos investimentos em ações. E quando eu digo que muita gente "saiu correndo" eu quero dizer que muitos investidores liquidaram suas posições na Bovespa e foram em busca de investimentos mais seguros.
E você sabe qual o setor que mais sofreu com essa venda de ativos? Qual o setor que mais sofreu com a crise? Foi o setor financeiro. Isso mesmo, os bancos. Nada mais lógico, afinal de contas foi uma crise financeira, então é justo que as instituições financeiras sofram mais. Para os investidores estrangeiros, responsáveis pelo maior volume financeiro da Bovespa, não interessa se os bancos brasileiros tem posições em fundos relacionados a hipotecas de alto risco ou não, o que interessa é que são bancos, e numa crise financeira é hora de vender ações de bancos. Bradesco, Itaú e Banco do Brasil por exemplo, não possuem nem U$$1 sequer em hipotecas de alto risco, mas sofreram muito com a crise do subprime. O mercado é assim, principalmente nas crises, a emoção supera a razão.
Porém, após os cortes de juros interbancários nos EUA, o mercado começou a se recuperar. As ações das empresas de commodities, como Vale do Rio Doce e Petrobrás, iniciaram um movimento de ascendência impressionante. A crise ia ficando pra trás. As ações dos bancos nos EUA começaram a subir dia após dia, o Ibovespa ia se recuperando com grande velocidade. Mas e as ações dos bancos brasileiros?
As ações dos bancos brasileiros permaneceram estacionadas. Com ganhos inexpressivos, Itaú, Bradesco, Unibanco e Banco do Brasil estavam longe de ser as estrelas do pregão. A aversão ao risco gerada pela crise tirou o apetite pelos bancos brasileiros, até que começou a ficar caro demais comprar ações das empresas de commodities. E o investidor estrangeiro então pensou: "Vamos procurar ativos brasileiros de grandes empresas, com alto faturamento, e que ainda não se recuperaram da crise, para que possamos investior neles". E quando o investidor estrangeiro fez seu levantamento para descobrir quais são essas empresas, adivinha quais ele encontou? Bradesco, Itaú, Unibanco e Banco do Brasil. Exatamente, os bancos brasileiros ainda não se recuperaram da crise, mas são empresas sólidas, com balanços extremamente positivos, e com o preço dos seus papéis inferior ao preço-alvo. Chegou a vez dos bancos!
Variação das ações de bancos em 26/09/07:
ITAU PN +3,92%
BRADESCO PN +3,24%
BANCO DO BRASIL ON +3,14%
UNIBANCO +2,31%
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
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